sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O largo dos amores

           (imagem da internet)
Não me recordo agora o mês, mas o ano era 1976. Eu e mais quatro inseparáveis amigos, interrompemos estudo preparatório ao vestibular de todas as tardes, para uma aventura no centro da cidade. Em frente à praça Odorico Mendes, que agora está completamente revitalizada, funcionava um supermercado, que não recordo o nome, e onde juntamos uns trocados de cada um para compramos pão, margarina e refrigerante. O destino era a praça Gonçalves Dias. Era uma espécie de piquenique em plena praça. Por todos os lados, estudantes com fardas de muitas escolas de São Luis. Atire a primeira pedra quem nunca "matou" aula para um encontro de amor na Gonçalves Dias.
          Passados muitos anos daquela aventura, caminho por volta das onze e meia da manhã, na década de noventa, resolvendo alguma coisa na região, quando me deparo com cena curiosa; uns dez jovens com livros nas mãos, recitando em voz alta poemas de nosso poeta maior. Não contive a curiosidade e aproximei-me para descobrir que eram jovens portugueses estudantes de literatura, em missão especial de mergulhar no universo deste ícone da nossa literatura. Fiz registros fotográficos que depois perdi, se fosse em tempos de agora certamente seriam postados em blogs, instagrans, facebooks, fariam live etc etc.
              Mergulhando um pouco mais em minhas memórias da praça, lembro-me de outra cena inusitada em que uma senhorinha de cabelos brancos e véu na cabeça, mãos póstumas, ajoelha-se aos pés da estátua, fazendo reverência ao "santo" na praça.
              No início do século vinte era comum encontrar homens de ternos alinhados e senhoras com seus vestidos de tecido caro e sombrinhas na mão, a passear pela praça. Nestes tempos modernos, as pessoas continuam chegando por ali, principalmente nos fins de tarde, usam brincos estranhos, pircings, carregam skates, ingerem bebidas preparadas em casa, quase sempre com grande teor de álcool, casais de todas idades continuam se encontrando iniciando ou encerrando romances, capoeiristas se arriscam "balés" inimagináveis. Diante de todos o "olhar" do poeta que do alto "assiste" tudo em silêncio.


7 comentários:

  1. Tive apenas um encontro nesta praça, mas nunca matei aula.Me recordo que esta foi a primeira praça que a conheci quando aqui cheguei em 1998 em São Luís.E amo tirar fotos na mesma.Rss!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Já marquei encontros! Namorei,um ótimo cenário para fotografar no final da tarde.

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  4. O largo dos amores e uma lembrança fantástica.
    Perfeita união das histórias.
    História do ontem numa visão jovial e a história do hj numa visão atual.
    O amor existe. O que mudou foi a forma de expressa-lo

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  5. Bons tempos meu caro Robson Jr. Quando a gente pensava num encontro já vinha na cabeça a famosa GD. Era muito legal, os casais se espremendo lá no escurinho de trás, parece até deixado proposital para quem se atrevia a avançar o sinal rsrsrs. Tempos em que a gente nem se preocupava que pudesse aparecer um meliante com uma arma em punho, o que passou a acontecer com frequência na era atual.

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