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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

São Luis, uma paixão que não passa


Não me lembro bem o ano, acho que era 1964. Eu e minha mãe apanhamos um ônibus na parada do monte castelo. Tinha nome de santo forte; "proteção de santo Antônio". Era véspera de natal. estávamos nos aproximando da maternidade Benedito Leite, tudo parecia normal, até que alguém gritou - O ônibus tá pegando fogo - O velho Cirb, tinha apenas a porta da frente. Confusão, gritos, pedidos de socorro, uma fumaça escura invadia o espaço, algumas pessoas pulavam pela janela. Minha mãe me tomou pelo braço e já ia me atirar pela janela na tentativa de me salvar. Lá fora um "anjo" gritou palavras de ordem - Senhora, não jogue seu filho, o incêndio já está controlado, tenha calma - Nem sei porque me lembro agora deste episódio neste momento em que, diante do computador passo a compartilhar minhas memórias desta cidade patrimônio da humanidade. Só sei que após aquele episódio, aprendi e perceber que a providência divina está por toda parte. Naquela véspera de natal viera nos acalmar para que chegássemos em casa em segurança e para que agora eu pudesse contar esta história real.
Passados alguns anos, já na adolescência, um anjo que nunca vi, lançou para mim a mão salvadora que impediu que minha cabeça fosse esmagada por um poste na rua Jansen Muller, que na época acessava a beira mar. Eu havia tomado um ônibus na praça Deodoro em direção à praia da Ponta D'areia. Muito cheio, mal consegui me agarrar em uma das portas. Quando o ônibus lotado fez a curva em direção à beira mar, pendeu para o lado, nesta hora uma mão, que até hoje não sei de quem foi, me puxou num solavando me colocando no interior do veículo. Antes disso ainda senti o cabelo locando levemente no poste. Era a segunda intervenção "angélica", me permitam dizer, me dando chances de continuar vivendo nesta cidade que amo.
Outros episódios de providência divina voltariam acontecer, mas estas histórias reais vou contar adiante.
lembro-me daqueles natais em que presépios eram montados na praça Deodoro, lembro do medo que senti agarrando-me às pernas da minha mãe ao ver a mãe d'água na frente da igreja da Sé, lembro de uma música que ouvi em manhã de domingo ao descer do velho bonde no largo Carmo, do ceguinho da rua grande, com as bochechas quase estourando ao tocar o piston e esperando por moedas no chapéu amarelado pelo tempo, lembro de rodó, uma negra que andava a passos largos, com a boca pintada e bobes nos cabelos, era a alegria da garotada que ficava fazendo provocações quando ela passava, lembro de mexer o corpanzil de "bota pra moer", no minhocão durante as aulas de anatomia já durante o curso de Farmácia. São tantas as memórias.
Acabei de completar sessenta anos, e nestes dias de novembro e dezembro de 2018 e primeiros dias de 2019, me emociono por passar por estes lugares e ver espaços renovados. É impossível não gostar do que chamam agora de complexo Deodoro, o piso é bom, os bancos acolhedores, tem verde no meio e torço para que não pichem os bustos destes maranhenses que ali estão. No dia da reinauguração, conversando com Edvaldo Holanda, que é bem mais jovem do que eu, falei da importância desta parceria, Planalto, Estado e Município, que permitiu que maranhenses e turistas, tivessem de volta de forma generosa este espaço de encontros e lazer. Lembrei a ele, que ali naquele local mais próximo da Biblioteca, nós chegávamos lá pelas nove horas da manhã para apanhar os ônibus que iam para o cururuca  ou laranjal. Era o tempo dos piquiniques. 
Como não andar por este espaço revitalizado sem lembrar do palanque armado ao lado da banca do Edmar onde artistas e políticos de revezavam no comício pelas diretas. Como esquecer aquela concentração de estudantes de todas as escolas do Maranhão naquele fim de tarde de 1979, que resultaria na efetivação de fato da meia passagem que há anos havia sido aprovada.
nas próximas postagens continuaremos mergulhando nestas memórias, e você pode ser parceiro (a). Indique fatos ou lugares que marcaram e marcam sua existência nesta cidade de gente de bem. Até a próxima.

Dr álvaro Bruno Botentuit (teste do olhinho)

Tirando dúvidas sobre o teste do olhinho. entrevista que foi ao ra no Repórter Difusora no dia 02 de setembro de 2019.