segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Dr álvaro Bruno Botentuit (teste do olhinho)



Tirando dúvidas sobre o teste do olhinho.

entrevista que foi ao ra no Repórter Difusora no dia 02 de setembro de 2019.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Lembranças de um que não sei quando

Acordei as seis como de costume. O sol parece de três da tarde. Levanto-me com cuidado extremo. Procuro o celular pra selecionar músicas, mas os olhos já não ajudam muito. Levo cinco longos minutos para achá-lo, a tarefa mais difícil vem agora; localizar a pasta apertar o play. Mais cinco minutos e o quanto é invadido pelo ritmo do bolero de Ravel.
Permaneço sentado e tento manter minha coluna ereta, levanto os braços como quem busca alcançar o céu. Ponho-me de pé e avanço pé ante pé na direção do banheiro.
Páreo diante do espelho e procuro por um homem que já não existe mais, cabelos sumiram, há rugas por toda parte.
Tenho escova moderna que faz o serviço por mim. Me divirto com as fricções nos destes e a pasta a vazar pelos cantos da boca. Minha mulher saiu para fazer exames, fingi que estava dormindo para não incomodá-la. É uma exagerada, se preocupa demais comigo. Sempre achei que me deixaria tão logo comecasse esquecer o óculos em qualquer lugar. Já se passaram vinte anos e cá estamis nós a aprender esta difícil lição que é conviver. Toda noite, aconteça o que acontecer, apoia minha cabeça em dois travesseiros e põe colheradas de mingau de aveia. Acho o amor com que prepara é o grande ingrediente que me faz acordar todo dia com vontade de viver mais um pouco.
Fecho a torneira da pia, caminho com extremo cuidado na direção do chuveiro, apoiando-me nas barras que ela mandou colocar nas parede. Pego um tal matizado que ela diz que é pra os cabelos brancos ficarem mais bonitos. O shampoo que uso agora é o mesmo de bebê. Regulo a água para uma temperatura agradável, nem fia, nem muito quente, a gente com tempo parece que vai perdendo pele com mais facilidade.
A água cai com abundância, molhando a cabeça e se espalhando pelo corpo.
Estranhamente sinto o coração bater acelerado, muito acelerado para depois desacelerar gerando uma sensação de desmaio, as luzes do banheiro parecem mudar de cor, ouço vozes. Parece com as vozes dos meus pais - O que estará acontecendo comigo - Pergunto em voz alta. A voz que parece ser da minha mãe, corta o silêncio.
- Filho, mamã veio te ver.
- Mamãe? Você não morreu?
- Não, só tirei um cochilo. Teu pai também tá aqui.
- Eu vi vocês em caixão.
- Calma, sei que parece confuso, mas a vida não cessa. Sempre estivemos por aqui. Vimos tudo que acontecia com todos. Ah, deixa eu te apresentar o irmão que você não conheceu.
O homem parecido comigo veio em minha direção e me abraçou. Estranho, meu corpo já não estava cansado, a pele, músculos, todos decompostos, o cabelo caindo na testa.
Uma grande confusão tomou conta da minha mente.
- Onde está minha mulher? Quero vê-la. Ela foi fazer exames e ainda não voltou.
- Calma, dizia minha mãe com voz mansa- Ela já estava preparada pra este momento. Há muitos anos que já estamos conversando com ela durante o sono. Somos gratos por ela ter aceitado a tarefa de cuidar de você. Poucas aceitariam está missão. Não é a primeira vez que se encontraram. Há séculos estão juntos por laços que não se desfazem.
- Quero vê-la. Sei que vai sofrer com a minha falta. Eu quero voltar, eu quero voltar.
Derrepente, sinto mãos sacudindo meus braços de firma vigorosa.
- Robson, grita uma voz que parece da minha mulher.
- Robson, acorda.
- Então era um sonho?
- Já estava preocupada, encontrei você falando sozinho, mas parecia conversar com alguém. Com quem conversava?
-Deixa pra lá. Só quero um beijo e um abraço.
- Meu velhinho lindo.

sábado, 20 de abril de 2019

ÚLTIMO SERMÃO (MÃE É MÃE)


Fragmentos de uma alma inquieta.

Desde muito cedo acostumei-me com a idéia da solidão. Não sei se por carma, por medo. Sempre preparei-me para desfechos triste. Nunca acreditei muito em finais felizes. Aos treze anos comecei escrever uma série de poemas intitulados paradoxos. O primeiro escrevi em uma bela tarde de sol na praça Gonçalves Dias. Na essência eu buscava de forma profética vislumbrar o futuro, eu havia completado dezesseis anos; “na velhice ambicionarei um carinho espontâneo e ganharei um abraço forçado”. Vieram muitos depois dele. Sempre escrevi aproximando opostos: sol e chuva, riso e lágrima, amor e ódio, chegada e partida. Na verdade tinha uma vida normal de um adolescente pobre, filho de uma dona de casa católica fervorosa e de um pai também de forte religiosidade e bastante conservador – Esta história de “barulho” na igreja não é coisa de Deus” – Dizia, quando os primeiros grupos começaram ensaiar com baterias e guitarras durante as celebrações.

Lembra-me com tristeza dos fins de semana e ficava torcendo pra passar logo, Sábado era dia de estudo redobrado e ai de mim se ao menos colocasse a cabeça fora da janela. Com o canto do olho espiava meus amigos de mesma idade já subindo pra estrada de ferro e seguindo para tertúlias dançantes comuns nos anos sessenta.

Jogar bola na rua, mesmo não sendo um bom jogador, só quando papai estava no trabalho. Certa vez algo aconteceu no serviço e meu pai voltou cedo e me encontrou no meio de uma animada pelada da rua. Nem precisou me falar nada, fuzilou-me com o olhar para ao chegar em casa me passar um sermão que pareceu uma eternidade. Me disse palavras duras, lembro-me de ter chorado muito, sendo depois consolado pela minha mãe que sempre traduzia de forma suave o discurso do meu velho, explicando que tudo que ele queria era o meu bem e que estudasse, coisa que ele não tivera oportunidade de fazer.
Lá se vão mais de quarenta e cinco anos daqueles diálogos e como sou grato a eles, pelo sentido e direção que me foi passado.
Lembro-me agora, ainda com o coração disparado, da lição de brandura e sapiência da minha mãe. Estávamos no puxado transformado em cozinha da nossa casa de barro e palha. Meu pai chegara da pescaria. Havia trabalhado vinte e quatro horas na antiga fábrica do anil, hoje Cintra, que na época abrigava maquinárias do D.E.R. Meu pai estava muito agitado e chegou brigando com a gente, reclamando de algo que nem lembro agora. Não gostei de ouvir os gritos dele e falei apenas para ela ouvir – Quando tiver meus filhos, não vou gritar deste jeito com eles, no que minha mãe retrucou e docemente me respondeu – Robson, teu pai não estudou, começou trabalhar muito cedo. Trabalha duro para que vocês tenham uma educação melhor que a dele, Entenda seu pai. Foi o último sermão que ouvi daquela mulher com a barriga enorme de uma gravidez extemporânea. Nosso irmão mais novo, Dori-Edson,  já estava com doze anos. Era o mês de janeiro de 1980.
O dia dezessete daquele mês marcaria a chegada do novo caçula, Natanael, e a partida de nossa mãe.

No dia 16, após o almoço, tivemos uma conversa longa sobre o futuro; matriculas dos irmãos, vestibular, cuidados com a saúde e muitos outros temas que foram sendo colocados na pauta e esmiuçados um após o outro. Depois da conversa, tomei banho, tomei um ônibus para o São Francisco, saltei e fui para uma campina onde depois seria construído o Basa. Lá fiquei olhando para o mar durante umas três horas, numa espécie de transe, só saindo dalí quando as primeiras estrelas começavam a enfeitar o céu. Cheguei em casas e encontrei minha mãe inquieta. No canto da sala uma sacola com roupas para o bebê – Estou com dores, mas tá tudo bem, quando seu pai chegar da pescaria, iremos para a clínica. Era o primeiro filho que minha mãe teria fora de casa. Todos os outros vieram ao mundo através de uma parteira leiga.

Meu pai chegou, tomou banho e seguiram na direção da antiga rodoviária pra tomar o ônibus que os levariam para a Clínica São Camilo, bem próximo de onde é hoje o Rio Anil Shopping.
Chegando na clínica meu pai foi orientado a voltar pra casa e só voltar no dia seguinte para buscar mamãe e o bebê.

Assim aconteceu. Meu pai voltou e quando já passava das cinco horas da manhã, fomos acordados por uma voz que perguntava se era a casa de seu Alberto e que precisava ir ao Hospital porque algo havia saído errado.

Chegamos ao hospital e precisamos doar sangue, uma hemorragia violenta se abatera após o parto, 
A criança foi tirada a fórceps, pois ela já não tinha forças.

De nada adiantou a doação. Ao chegarmos à clínica recebemos a notícia de que tinham feito o possível para salvá-la, mas não haviam conseguido. Passava das seis e trinta da manhã.


segunda-feira, 25 de março de 2019

O SILÊNCIO

Muito já ouvi falar sobre o silêncio: BOCA CALADA NÃO ENTRA MOSCA, QUEM FALA MAIS ERRA MAIS ETC ETC ETC.
Se gostou passe o link do nosso blog adiante.
ah, visite também nosso outro blog ; www.robsonjr.net

há outra página se vc tiver tempo de ver;
www.recantodasletras.com.br/autores/RobsonJr

obrigado.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

AO MESTRE COM CARINHO
GRATIDÃO!!
Eu, jovem calouro de farmácia, numa tarde de sexta-feira, recebi um convite inusitado do Joaquim, um goiano simpático que me convidou para fazer parte de um grupo de igreja. O que o motivou foi o fato sempre ver com livros, nem sempre didáticos, mas de boa formação. Desde os treze anos desenvolvi o hábito por uma leitura universal com os mais variados temas – Gostaria de te convidar para participar de um grupo de formação – Disse o goiano, aluno de Educação Física, que havia sido criado naquele ano de 1978. E continuou – O coordenador é o padre Mohana, que também é médico e psicólogo, as reuniões acontecem na igreja da Sé às 16 horas horas, em seguida a gente participa da missa celebrada pelo próprio Mohana. Agradeci ao convite e prometi aparecer. Esqueci completamente. Na segunda-feira meu amigo me surpreendeu mais uma vez – Sentimos a sua falta ontem – Aquela frase me chamou atenção. Eu nem sabia que aquele convite seria o divisor de águas na minha vida. Ali, o jovem estudante de Farmácia começaria a se transformar em Robson Jr, o radialista. Depois eu conto mais. Estou postando aqui um vídeo que relata esta figura exemplar que não somente influenciou e preparou dezenas de profissionais para o futuro. Plantou sementes que brotaram em vários seguimentos de nossa sociedade. Foi num domingo após a missa das cinco na Sé, que me convidou para ajudar em um pequeno programa, o “Para onde vais?” na Rádio Educadora, e aqui estou eu agradecido por aquele convite que mudaria o rumo da minha vida.
No último encontro que tivemos, bem ao lado do abrigo do Largo do Carmo, cobrei dele um estágio em Hematologia Clínica que ele me prometera em Porto Alegre em um grande laboratório de um amigo. A resposta veio como uma sentença : Não, esqueça isso, você é de rádio”. Foi a última frase que ouvi do mestre João Mohana, meses depois morreria. Era sábado, se não me falha a memória. Peguei uma máquina de fotografar e cliquei um “milagre” de Mohana : de um lado do caixão Zé Pequeno, do outro José Sarney. Guardo esta foto com carinho e um dia irei postar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019



FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO
(sem legenda)


Desde as primeiras divulgações de postagens dos ORDS no Repórter Difusora, reclamações de toda natureza, nos levam a pensar na necessidade de mergulharmos profundamente em uma busca de ampliação da nossa educação para as próximas gerações. Nós, deste tempo midiático, somos especialistas em julgar e condenar, esquecendo que toda comunicação tem mão dupla. Pedras de agora, vidraças de daqui a um segundo.
Nós queremos honestidade de todos os políticos, mas adoramos furar a fila do banco, do hospital, da lotérica. Nós queremos honestidade daqueles que são responsáveis pela ordem no dia a dia, mas não vacilamos em querer molhar a mão do guarda, oferecendo um cafezinho pra liberar o carro em uma blitz. Alguns já irão me julgar agora, postando que há guardas corruptos. Se for assim, de que lado você vai estar?, foi assim que você aprendeu em casa. Lembra quando a gente chegava em casa com um objeto que não era reconhecido como nosso, e nossos pais faziam a gente ir até o local onde havíamos “achado” o objeto?.
A semana passada foi emblemática neste bate boca que ocorre diariamente no Repórter Difusora. Dezenas de postagens incluindo áudios, escritos e até vídeos em que os moradores da estrada de Ribamar, se expressavam divididos, a respeito de alterações no trânsito ao longo daquela via. Analisando que o que chegou até nós, através de nosso whatsApp, percebemos que ficaram divididos entre o que era bom e péssimo para quem transita por ali. Inegável o grau de observação apurado de alguns que postaram verdadeiros relatórios a respeito, paralelamente a estas postagens, imagens vindas de lá mostravam continuadas ações de moradores que insistem em colocar em risco suas vidas e de outros, fazendo retornos proibidos. Já perdemos a conta de quantas vezes divulgamos acidentes até com vítimas fatais por causa destas práticas.
Bem, acho salutar este tempo de idade mídia, onde podemos compartilhar tanta coisa boa, reclamar, sugerir, orientar, educar, mas entendamos também que precisamos evoluir como sociedade que reivindica seus direitos, mas que também tem deveres. Se começarmos agora educar nossas crianças, talvez daqui a 30 anos, tenhamos uma sociedade mais consciente nos sentidos; de direito e de dever.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

UM PROGRAMA QUE VIROU MANIA, UMA MANIA MATINAL




Quando Paula Lobão sugeriu que eu fizesse pela manhã, um programa nos moldes do que eu fizera na Mirante FM há muitos anos, nem pensei muito, agradeci a oportunidade e fui logo dizendo o nome ; Mania Matinal. Era um nome guardado há quase três décadas, era a minha segunda opção quando criei o Acorde e Recorde. A inspiração veio após ver a capa de um um vinil de Paulo Diniz homônimo.
Comecei em uma segunda feira, logo os ouvintes aderiram a idéia. O mania passou por várias fases, mas o que não mudou, foi meu desejo de falar "cara a cara" com o ouvinte, compartilhar com eles minhas próprias memórias. O objetivo é que eles percebessem como foi o processo de lapidação deste operário da voz, e por isso, se permitiram e se permitem compartilhar comigo, sentimentos e lembranças em forma de música.
Esta semana dividi com eles minhas inquietações sobre a idade que avança, e o meu cansaço em minhas rotinas que começam muito cedo. Me senti muito honrado pela forma generosa como me acolheram e me estimularam a continuar no horário das 5 da manhã, pois entendem, que o meu melhor remédio é este convívio diário, e posso afirmar sem medo, que estar no ar, é um dos meus melhores momentos do dia.
Nunca recebi tantas mensagens como hoje dia 25 de janeiro de 2018.
Sou grato, e farei tudo para que esta convivência se torne cada vez melhor.
Obrigado por escolherem a Difusora Fm para começarem o seu dia, e escolher uma emissora de rádio é uma decisão pessoal.
Que bom que você nos escolhe todos os dias como companhia. A gente nem pode se ver, mas eu tenho certeza que a gente já se conhece.

Dr álvaro Bruno Botentuit (teste do olhinho)

Tirando dúvidas sobre o teste do olhinho. entrevista que foi ao ra no Repórter Difusora no dia 02 de setembro de 2019.