sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

UM PROGRAMA QUE VIROU MANIA, UMA MANIA MATINAL




Quando Paula Lobão sugeriu que eu fizesse pela manhã, um programa nos moldes do que eu fizera na Mirante FM há muitos anos, nem pensei muito, agradeci a oportunidade e fui logo dizendo o nome ; Mania Matinal. Era um nome guardado há quase três décadas, era a minha segunda opção quando criei o Acorde e Recorde. A inspiração veio após ver a capa de um um vinil de Paulo Diniz homônimo.
Comecei em uma segunda feira, logo os ouvintes aderiram a idéia. O mania passou por várias fases, mas o que não mudou, foi meu desejo de falar "cara a cara" com o ouvinte, compartilhar com eles minhas próprias memórias. O objetivo é que eles percebessem como foi o processo de lapidação deste operário da voz, e por isso, se permitiram e se permitem compartilhar comigo, sentimentos e lembranças em forma de música.
Esta semana dividi com eles minhas inquietações sobre a idade que avança, e o meu cansaço em minhas rotinas que começam muito cedo. Me senti muito honrado pela forma generosa como me acolheram e me estimularam a continuar no horário das 5 da manhã, pois entendem, que o meu melhor remédio é este convívio diário, e posso afirmar sem medo, que estar no ar, é um dos meus melhores momentos do dia.
Nunca recebi tantas mensagens como hoje dia 25 de janeiro de 2018.
Sou grato, e farei tudo para que esta convivência se torne cada vez melhor.
Obrigado por escolherem a Difusora Fm para começarem o seu dia, e escolher uma emissora de rádio é uma decisão pessoal.
Que bom que você nos escolhe todos os dias como companhia. A gente nem pode se ver, mas eu tenho certeza que a gente já se conhece.

FALANDO SOBRE O REPÓRTER DIFUSORA (MEMÓRIAS)


Sempre bom lembrar que o sucesso do Repórter Difusora, se dá pela adesão em massa, dos ouvintes, os ORDS. a todos estes milhões de ouvintes que diariamente compartilham conosco suas idéias, reclamações, sugestões, nosso eterno agradecimento (Robson Jr)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

::Um dia perfeito::

(texto escrito durante viagem pela serra gaúcha)

Desde as primeiras horas do dia, fez tudo certo. Logo ao despertar o pensamento estava em Deus. Em uma oração singela, pôs todos os amigos e até os desafetos nas mãos do Criador, olhou através da janela e agradeceu pela luz do dia pelo canto dos pássaros que lhe acariciavam os tímpanos, ainda com as mãos postas pediu pelas pessoas em todo mundo que porventura naquele momento estivessem passando por provações para que fossem fortes.
Levantou-se, erguendo os braços como se quisesse alcançar o teto de cedro, bocejou, depois foi até o espelho e por um momento ficou a fitar o próprio rosto já maltratado pelo tempo. A barba mal feita dava-lhe um ar mais sério. Resolveu começar tirando a barba, o que tomou uns quinze minutos de tempo, depois escovou os dentes e foi para debaixo do chuveiro. Sentia uma estranha sensação de paz quando a água levemente aquecida tocou-lhe o corpo, ali ficou por mais ou menos meia hora. Enxugou-se, colocou roupa limpa e dirigiu-se à cozinha onde a mesa posta já o esperava. Espigas de milho cozidas, polentas, Iogurt, queixo branco, maçãs, suco de acerola, um dos seus preferidos. A velha ama aproximou-se, beijou-lhe a testa e depois colocou uma porção de chocolate amargo, a fumaça subiu até suas narinas estimulando ainda mais o apetite do começo de manhã.
Provou de tudo que estava à mesa. Por um momento olhou para a negra que o serviu com extremo carinho, não entendeu por que esta visão fez o coração disparar. Foi até ela e abraçou-a carinhosamente, o que foi imediatamente correspondido.
- Amo você Conchita – Disse com uma forte emoção.
- Também amo você filho – respondeu a ama com emoção incontida, revelado por uma lágrima que rola suavemente pelo rosto. Conchita fora trazida pra morar com ele depois que perdeu os pais, ela havia tratado dele desde o nascimento.
- Posso tirar a mesa ?
- Pode meu amor, já estou de saída.
Quando já preparava-se para ligar o carro foi chamado por Conchita.
- Telefone filho!!
Tirou a chave da ignição e foi atender o telefone e assim ficou uns cinco minutos. Era um amigo perguntando sobre um projeto sobre reciclagem que ficara de escrever. Trocaram algumas idéias e por fim desligou e saiu rápido para o carro. Lançou mais uma vez um olhar para a velha ama, que lhe acenou carinhosamente. Pisou o acelerador e carro seguiu por entre hortências azuladas. Acionou o controle o grande portão de zinco abriu-se dando passagem para o carro. Sem entender muito o porquê, seus pensamentos foram invadidos pela imagens dos pais. Lembrou-se da infância na casa humilde mas cheia de fartura e brincadeiras na Serra onde nasceu e cresceu, lembrou-se do casa onde os pais preparavam a erva mate para o sagrado chimarrão, lembrou-se das visitas a Porto Alegre de onde sempre voltava assustado com tanto movimento, bem diferente da tranqüilidade da residência ao pé da Serra em Bento Gonçalves. Ligou o som do carro onde uma música italiana começou tocar. Distraiu-se completamente a ponto de não perceber a curva fechada, um caminhão enorme destes de muitos pneu desgovernara-se e atravessara a pista, ainda tentou desviar. Tarde demais, o automóvel foi atingido em cheio, um grande barulho de freios, vidros quebrados e ferragens retorcidas quebrou o silêncio da Serra.
Abriu os olhos e um grande clarão se fez. O corpo não doía, sentia-se leve, caminhou um pouco e viu ambulâncias chegarem com suas sirenes ligadas. Assustou-se quando viu os paramédicos tentando reanimar o corpo dele. Não entendeu nada a princípio, até que avistou em meio à neblina rostos conhecidos, primeiro a mãe, depois o pai. Foi até eles e os abraçou. Já haviam se passados tantos anos e no entanto pareciam remoçados. Depois do abraço permaneceram em silêncio.
As ambulâncias saíram. O caminhoneiro que estava sentado no chão, demonstrava grande tristeza. Pássaros continuavam cantado, o vento soprava a mata nativa, curiosos parando para ver os destroços. Na casa de onde saíra, a velha ama sente o aperto no peito que não consegue entender. Se pudesse, veria que agora três personagens lhe faziam companhia e fitavam-na com carinho. Tudo em seu lugar. Tudo perfeito, pouco compreensível no sentido mais humano, mas tudo perfeito.
RobsonJr
Enviado por RobsonJr em 24/11/2010
Reeditado em 05/12/2010

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

F E L I C I D A D E

Olá, tudo bem?
A gente sem querer, chega e vai logo perguntando se o outro ou a outra está bem. Ou então; você está feliz?
nos tais dias mais cinzentos, a vontade que a gente tem é de mandar o interrogador para aquele lugar.
mas afinal, o que ser ou estar feliz?
se você fizer esta pergunta para cem pessoas, vai ter como resposta cem respostas diferentes?
há um tempo recebi este texto sobre felicidade, gravei e compartilho com você. Corro o risco de flagrá-lo em um momento infeliz, e posso até ser deletado.
vou arriscar assim mesmo, porque não inverno que não passe, noite que dure para sempre e mal humor que não cesse. Acho melhor ver o vídeo.
Fui.
Namastê.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

DIA DA FOFOCA

(imagem da internet)

      Nestes tempos de idade mídia, sentimos inevitável desejo de receber a fofoca e compartilharmos imediatamente, sem que nos importemos se vai machucar, denegrir, provocar dores de toda natureza. há um princípio dos antigos que diz : "Se você não é capaz de guardar seu próprio segredo, por quê os outros guardariam". desafio você a compartilhar, pelo menos hoje, só conteúdos isentos de fofocas. Será que você consegue?.
     Este tema é tão forte que o o gigante Facebook tenta ainda sem sucesso, monitorar postagens fake em sua páginas. Apesar do esforço, ainda é só um desejo.
     No dia da fofoca, experimente enviar postagens saudáveis para os seus grupos. Ah, ia esquecendo, toda comunicação tem mão dupla. um hora você é pedra, mas logo em seguida, pode ser a frágil vidraça.
Namastê.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

SAUDADE




Você seria capaz de acessar um link em busca de saudade?

copie e use um navegador fora do blog pra visitar

https://recantodasletras.com.br/audios/cronicas/42919

É um dos meus espaços de compartilhamento destes fragmentos ao longo do tempo.

Namastê!!

PRA QUE SERVEM AS TEMPESTADES?


Será que tempestades (dificuldades), são uma desnecessidade, uma desgraça na vida da gente?
quantas vezes já superamos tempestades, e ao sairmos delas nos sentimos revigorados, fortalecidos?
este texto também veio parar em minhas mãos e eu mais uma vez, resolvi gravar e compartilhar. Se você achar que ele pode ajudar você ou outra pessoa, passe-o adiante.
Namastê.

O VALOR DO SILÊNCIO.


Há um tempo, que não me recordo, recebi o texto sobre o silêncio, Depois de ler, achei interessante gravá-lo e principalmente compartilhar com ouvintes e seguidores de redes sociais. M e surpreendi quando recebi de volta de um outro estado, o texto com imagens, que agora compartilho com você que acompanha o meu blog. Se você gostar, não guarde, passe adiante.
muito grato.
namastê.

FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO






Desde as primeiras divulgações de postagens dos ORDS no Repórter Difusora, reclamações de toda natureza, nos levam a pensar na necessidade de mergulharmos profundamente em uma busca de ampliação da nossa educação para as próximas gerações. Nós, deste tempo midiático, somos especialistas em julgar e condenar, esquecendo que toda comunicação tem mão dupla. Pedras de agora, vidraças de daqui a um segundo.
Nós queremos honestidade de todos os políticos, mas adoramos furar a fila do banco, do hospital, da lotérica. Nós queremos honestidade daqueles que são responsáveis pela ordem no dia a dia, mas não vacilamos em querer molhar a mão do guarda, oferecendo um cafezinho pra liberar o carro em uma blitz. Alguns já irão me julgar agora, postando que há guardas corruptos. Se for assim, de que lado você vai estar?, foi assim que você aprendeu em casa. Lembra quando a gente chegava em casa com um objeto que não era reconhecido como nosso, e nossos pais faziam a gente ir até o local onde havíamos “achado” o objeto?.
A semana passada foi emblemática neste bate boca que ocorre diariamente no Repórter Difusora. Dezenas de postagens incluindo áudios, escritos e até vídeos em que os moradores da estrada de Ribamar, se expressavam divididos, a respeito de alterações no trânsito ao longo daquela via. Analisando que o que chegou até nós, através de nosso whatsApp, percebemos que ficaram divididos entre o que era bom e péssimo para quem transita por ali. Inegável o grau de observação apurado de alguns que postaram verdadeiros relatórios a respeito, paralelamente a estas postagens, imagens vindas de lá mostravam continuadas ações de moradores que insistem em colocar em risco suas vidas e de outros, fazendo retornos proibidos. Já perdemos a conta de quantas vezes divulgamos acidentes até com vítimas fatais por causa destas práticas.
Bem, acho salutar este tempo de idade mídia, onde podemos compartilhar tanta coisa boa, reclamar, sugerir, orientar, educar, mas entendamos também que precisamos evoluir como sociedade que reivindica seus direitos, mas que também tem deveres. Se começarmos agora educar nossas crianças, talvez daqui a 30 anos, tenhamos uma sociedade mais consciente nos sentidos; de direito e de dever.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O largo dos amores

           (imagem da internet)
Não me recordo agora o mês, mas o ano era 1976. Eu e mais quatro inseparáveis amigos, interrompemos estudo preparatório ao vestibular de todas as tardes, para uma aventura no centro da cidade. Em frente à praça Odorico Mendes, que agora está completamente revitalizada, funcionava um supermercado, que não recordo o nome, e onde juntamos uns trocados de cada um para compramos pão, margarina e refrigerante. O destino era a praça Gonçalves Dias. Era uma espécie de piquenique em plena praça. Por todos os lados, estudantes com fardas de muitas escolas de São Luis. Atire a primeira pedra quem nunca "matou" aula para um encontro de amor na Gonçalves Dias.
          Passados muitos anos daquela aventura, caminho por volta das onze e meia da manhã, na década de noventa, resolvendo alguma coisa na região, quando me deparo com cena curiosa; uns dez jovens com livros nas mãos, recitando em voz alta poemas de nosso poeta maior. Não contive a curiosidade e aproximei-me para descobrir que eram jovens portugueses estudantes de literatura, em missão especial de mergulhar no universo deste ícone da nossa literatura. Fiz registros fotográficos que depois perdi, se fosse em tempos de agora certamente seriam postados em blogs, instagrans, facebooks, fariam live etc etc.
              Mergulhando um pouco mais em minhas memórias da praça, lembro-me de outra cena inusitada em que uma senhorinha de cabelos brancos e véu na cabeça, mãos póstumas, ajoelha-se aos pés da estátua, fazendo reverência ao "santo" na praça.
              No início do século vinte era comum encontrar homens de ternos alinhados e senhoras com seus vestidos de tecido caro e sombrinhas na mão, a passear pela praça. Nestes tempos modernos, as pessoas continuam chegando por ali, principalmente nos fins de tarde, usam brincos estranhos, pircings, carregam skates, ingerem bebidas preparadas em casa, quase sempre com grande teor de álcool, casais de todas idades continuam se encontrando iniciando ou encerrando romances, capoeiristas se arriscam "balés" inimagináveis. Diante de todos o "olhar" do poeta que do alto "assiste" tudo em silêncio.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

"MEIA PASSAGEM OU MEIA CIDADE"

(a foto registra o primeiro ônibus parado na UFMa)

Parecia um dia como outro qualquer (17 de setembro de 1979). Cursava Farmácia. Estávamos na sala de aula no prédio que abrigava laboratórios de química na UFMa. No meio da aula um pequeno grupo de estudantes pediu licença para uma conversa rápida, que explicava sobre a meia passagem que já existia no papel, mas que não acontecia de fato. A conversa não demorou muito, em poucos minutos a aula era encerrada e todos os alunos se juntavam ao pequeno grupo que liderava o movimento. 
De sala em sala a conversa era rápida e em pouco tempo, todos rumavam em direção a um local onde normalmente esperávamos pelos ônibus. Quando um deles chegou, um dos líderes fez parada, entrou no ônibus e pediu a chave do carro. O motorista não protestou, desligou o caro e entregou. Começava assim o movimento popular mais importante de nossa cidade.
Na época eu lecionava nos colégios Cardoso Amorim e La Rocque. No Cardoso Amorim, uma professora que não me recordo o nome, parou a aula e começou a conclamar os alunos para se juntarem ao movimento, o que foi questionado pelo Diretor da Escola que era Deputado, ameaçando-a de demissão. Na quele mesmo momento vários voluntários começavam levar alimentos, água, refrigerantes para os jovens que se reuniam no acesso ao interior do Campus, o sol era intenso, mas ninguém arredava pé. Paralelamente, outros grupos iam de escola em escola convocando os estudantes para a manifestação no fim de tarde na praça Deodoro, no antigo coreto.
No fim do dia , por volta de 17:30 eu chegava na praça que já estava tomada de jovens de todas escolas de São Luis. Fiquei um tempo por ali e segui para o La Rocque onde ministrava aulas à noite. Estava no segundo horário quando um homem com um grande corte na testa, entrou na sala, a camisa toda ensanguentada, era marido de uma das alunas. Lá fora a multidão já avançava em direção ao Palácio do governo. Ao longo do percurso, baderneiros que se misturaram aos milhares de alunos, iam destruindo que encontravam pela frente. Na rua grande todas as lojas foram depredadas. 
Quando tentei voltar para casa me deparei com cena rara; ao longo percurso do centro até o monte castelo onde morava, todos ônibus estavam apedrejados.Fui pra casa andando.
A história é longa e está registrada em áudio, fotos e vídeo. Naquela noite mal consegui dormir. O dia seguinte amanheceu com polícia nas ruas e mais carros apedrejados. Lembro-me de ter tomado um ônibus em direção ao centro, ao chegar próximo à caixa d'água, um homem atirou uma pedra enorme estilhaçando o vidro da frente, todos os passageiros desceram.
Aquele movimento fez valer uma Lei que havia sido aprovado há décadas, a Lei da meia passagem. Hoje quem passa pela catraca pagando meia, não tem noção do luta travada pra fazer valer um direito. Muitos estudantes foram presos, muitas vozes se levantaram para defendê-los. Agora é história, história de luta. Até a próxima.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

EU VIA FLORES DA JANELA...

E lá vou eu mais uma vez, revirando blocos de anotações guardadas em uma memória que já começa dar sinais de cansaço, por isso esforço-me para contar histórias reais de uma existência marcada pelas tempestades, que longe de serem um problema, moldaram e moldam até o hoje, a personalidade deste aprendiz da esperança.
Nasci em uma rua que dava fundo para o rio anil. O nome não poderia ser melhor; formosa. Em tempos de lua cheia, a água batia à nossa porta e pela manhã, nosso pai levava um a um dos filhos, carregando nas costas, para o lado seco, com maré acima dos joelhos. Eram tempos difíceis. lembro-me que morria de vergonha da nossa situação de pobreza. Meu pai, um vigia do D.E.R, que mal assinava o nome, mas que nos dava aula de cidadania e força moral. A voz parecia um trovão. Era muito comum os amigos acharem que nosso pai estava brigando com a gente, mas era a forma normal dele falar. Minha mãe, uma dona de casa dedicada, fervorosa adoradora de Nossa Senhora, fazia parte da legião de Maria. Em nossa cozinha ensaiávamos os hinos que seriam cantados na igreja da Conceição, hoje santuário ou na igreja de São Vicente com os padres canadenses. Ela era portadora de artrose reumatoide desde os treze anos de idade. Num período como este de chuva, era comum que ela ficasse sem os movimentos de pernas e mãos, o que nos obrigava a ter bálsamo benguê sempre à mão para as horas de dores mais intensas. Durante os vinte e dois anos de convivência com ela, lembro-me apenas de três vezes em que disse estar começando o dia sem dores. Apesar disso, era de uma doçura sem limites. Nunca fez da dor um alimento para lamentações ou ódios. No próximo dia dezessete de janeiro, contaremos trinta e nove anos de sua partida.
Nossa primeira casa era de taipa e coberta de palha. Durante o inverno goteiras se espalhavam por todos os lados, e colocávamos baldes para aparar a água que descia pelos buracos. O chão de terra batida, era varrido e agoado diariamente com um cuidado impressionante. Quando a noite chegava, acendíamos as lamparinas alimentadas pelo querosene comprado na quitanda do seu Chiquinho.
era comum nossa mãe ir de rede em rede colocando um azeite de interior em nossas narinas, para que tivéssemos um sono melhor. todo mês fazíamos fila para tomar um purgante de mastruz com leite. 
Estou parecendo sentimental demais com estas lembranças de família. De alguma forma o meu desejo é que você aproveite minhas memórias para revirar também as sua memória, porque muitas de nossas aflições de agora são questões mal resolvidas ao longo da vida, e que a gente vai jogando pra debaixo do tapete, mas elas ficam ali a importunar no nosso inconsciente que tudo guarda e vez por outra nos assombra em pesadelos que a gente não entende.
Vou parar por aqui relembrando  flores do jardim que nossa mãe plantava na frente da nossa casa. Lembro-me que acordava cedo ela acordava para uma espécie de aspersão ritual. e já se vão quase quatro décadas.


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

a mão salvadora (dívida eterna I)


       Quem hoje vislumbra esta imagem da ponte com nome de santo sobre o rio anil que se atira na baía de São Marcos, não consegue ver as imagens guardadas por tantos em passado não muito distante. Tempo em que o São Francisco era uma terra de sítios. Tempo em que os homens habilmente tocavam suas catraias de um lado para o outro, trazendo frutas e gente. Transeuntes que hoje circulam pela beira mar, mal percebem que há rampas que se estendem até o trapiche e a lama do leito do rio. Era ali que chegavam frutas e hortaliças. Foi ali, paralelo à praça que homenageia Maria Aragão, que houve uma tentativa de se construir uma ponte que ligasse o centro ao São Francisco. A primeira tentativa era feita de madeira.
         Meu pai chegara de uma aventura de pesca na Guiana Francesa, e perambulou por ali em busca de alguma ocupação. Saíra de casa lá em Paulino Neves, muito jovem em busca de novos horizontes. Na primeira noite, dormiu em um dos bancos talhados ao longo da beira mar. No dia seguinte saiu mais uma vez em busca de algo que pudesse fazer e ganhar alguma coisa pra sobreviver. Uma assistente social, de quem agora não me lembro o nome, se interessou pela história do homem de pele queimada pelo sol, produto dos muitos dias de pesca em mar aberto sob um sol escaldante - Acho que temos uma ocupação para o senhor - Disse ela. E assim foi. Vigiar equipamentos da empresa que fincava grandes troncos de madeira. vou apressar o tempo. Nos próximos meses ele se juntaria à minha mãe, que também era de Paulino Neves e já morava em São Luis. 
         Lembro-me bem que um dia pedi para que meu pai me  levasse para ver a ponte. Fomos até lá, a obra prosseguia, num dado momento, me afastei de junto do meu pai e escorreguei, a maré estava cheia, a correnteza era imensa. Não era o meu dia. Alguma coisa fez com que meu pai virasse e olhasse em minha direção. Mais uns segundos e o meu corpo seria projetado no ar e provavelmente o que escrevo agora ficaria apenas na lembrança dos meus. A mão firma do meu pai segurou o meu braço e puxou de volta, chorei muito. Não me bateu, mas me prometeu não me levar novamente. 
Esta não foi a única vez que a mão salvadora de meu pai entraria em ação, mas esta é outra história.
até a próxima. 

"SANTA" PIEDADE.


        Enquanto teclo esta nova postagem, assisto um destes milhares de vídeo compartilhados na grande Rede. Um preso se joga no chão gerando feridas pelo corpo. o objetivo da mutilação é por a culpa nos policiais que o levavam para uma audiência de custódia. Não deu certo, pois o gesto insano foi filmado por um policial. Nossas atitudes, as vezes não diferem muito deste ensandecido ser. De um modo geral, sempre colocamos cores mais intensas que as reais em nossas dores e saímos por aí mostrando nossas chagas, como se a nossa cruz fosse sempre mais pesada que a dos vizinhos. Por isso disponibilizo aqui algo que gravei há mais de uma década. é um trecho de um livro que estou escrevendo: Fragmentos de uma alma inquieta, que é uma forma de compartilhar sentimentalidades que tenho falado em mais de três décadas em programas de rádio. Vou logo avisando que pretendo brevemente compilar tudo isto em um lançamento multimídia homônimo que talvez acontece ainda este ano. Eis abaixo um fragmento.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

São Luis, uma paixão que não passa


Não me lembro bem o ano, acho que era 1964. Eu e minha mãe apanhamos um ônibus na parada do monte castelo. Tinha nome de santo forte; "proteção de santo Antônio". Era véspera de natal. estávamos nos aproximando da maternidade Benedito Leite, tudo parecia normal, até que alguém gritou - O ônibus tá pegando fogo - O velho Cirb, tinha apenas a porta da frente. Confusão, gritos, pedidos de socorro, uma fumaça escura invadia o espaço, algumas pessoas pulavam pela janela. Minha mãe me tomou pelo braço e já ia me atirar pela janela na tentativa de me salvar. Lá fora um "anjo" gritou palavras de ordem - Senhora, não jogue seu filho, o incêndio já está controlado, tenha calma - Nem sei porque me lembro agora deste episódio neste momento em que, diante do computador passo a compartilhar minhas memórias desta cidade patrimônio da humanidade. Só sei que após aquele episódio, aprendi e perceber que a providência divina está por toda parte. Naquela véspera de natal viera nos acalmar para que chegássemos em casa em segurança e para que agora eu pudesse contar esta história real.
Passados alguns anos, já na adolescência, um anjo que nunca vi, lançou para mim a mão salvadora que impediu que minha cabeça fosse esmagada por um poste na rua Jansen Muller, que na época acessava a beira mar. Eu havia tomado um ônibus na praça Deodoro em direção à praia da Ponta D'areia. Muito cheio, mal consegui me agarrar em uma das portas. Quando o ônibus lotado fez a curva em direção à beira mar, pendeu para o lado, nesta hora uma mão, que até hoje não sei de quem foi, me puxou num solavando me colocando no interior do veículo. Antes disso ainda senti o cabelo locando levemente no poste. Era a segunda intervenção "angélica", me permitam dizer, me dando chances de continuar vivendo nesta cidade que amo.
Outros episódios de providência divina voltariam acontecer, mas estas histórias reais vou contar adiante.
lembro-me daqueles natais em que presépios eram montados na praça Deodoro, lembro do medo que senti agarrando-me às pernas da minha mãe ao ver a mãe d'água na frente da igreja da Sé, lembro de uma música que ouvi em manhã de domingo ao descer do velho bonde no largo Carmo, do ceguinho da rua grande, com as bochechas quase estourando ao tocar o piston e esperando por moedas no chapéu amarelado pelo tempo, lembro de rodó, uma negra que andava a passos largos, com a boca pintada e bobes nos cabelos, era a alegria da garotada que ficava fazendo provocações quando ela passava, lembro de mexer o corpanzil de "bota pra moer", no minhocão durante as aulas de anatomia já durante o curso de Farmácia. São tantas as memórias.
Acabei de completar sessenta anos, e nestes dias de novembro e dezembro de 2018 e primeiros dias de 2019, me emociono por passar por estes lugares e ver espaços renovados. É impossível não gostar do que chamam agora de complexo Deodoro, o piso é bom, os bancos acolhedores, tem verde no meio e torço para que não pichem os bustos destes maranhenses que ali estão. No dia da reinauguração, conversando com Edvaldo Holanda, que é bem mais jovem do que eu, falei da importância desta parceria, Planalto, Estado e Município, que permitiu que maranhenses e turistas, tivessem de volta de forma generosa este espaço de encontros e lazer. Lembrei a ele, que ali naquele local mais próximo da Biblioteca, nós chegávamos lá pelas nove horas da manhã para apanhar os ônibus que iam para o cururuca  ou laranjal. Era o tempo dos piquiniques. 
Como não andar por este espaço revitalizado sem lembrar do palanque armado ao lado da banca do Edmar onde artistas e políticos de revezavam no comício pelas diretas. Como esquecer aquela concentração de estudantes de todas as escolas do Maranhão naquele fim de tarde de 1979, que resultaria na efetivação de fato da meia passagem que há anos havia sido aprovada.
nas próximas postagens continuaremos mergulhando nestas memórias, e você pode ser parceiro (a). Indique fatos ou lugares que marcaram e marcam sua existência nesta cidade de gente de bem. Até a próxima.

Dr álvaro Bruno Botentuit (teste do olhinho)

Tirando dúvidas sobre o teste do olhinho. entrevista que foi ao ra no Repórter Difusora no dia 02 de setembro de 2019.