Quem hoje vislumbra esta imagem da ponte com nome de santo sobre o rio anil que se atira na baía de São Marcos, não consegue ver as imagens guardadas por tantos em passado não muito distante. Tempo em que o São Francisco era uma terra de sítios. Tempo em que os homens habilmente tocavam suas catraias de um lado para o outro, trazendo frutas e gente. Transeuntes que hoje circulam pela beira mar, mal percebem que há rampas que se estendem até o trapiche e a lama do leito do rio. Era ali que chegavam frutas e hortaliças. Foi ali, paralelo à praça que homenageia Maria Aragão, que houve uma tentativa de se construir uma ponte que ligasse o centro ao São Francisco. A primeira tentativa era feita de madeira.
Meu pai chegara de uma aventura de pesca na Guiana Francesa, e perambulou por ali em busca de alguma ocupação. Saíra de casa lá em Paulino Neves, muito jovem em busca de novos horizontes. Na primeira noite, dormiu em um dos bancos talhados ao longo da beira mar. No dia seguinte saiu mais uma vez em busca de algo que pudesse fazer e ganhar alguma coisa pra sobreviver. Uma assistente social, de quem agora não me lembro o nome, se interessou pela história do homem de pele queimada pelo sol, produto dos muitos dias de pesca em mar aberto sob um sol escaldante - Acho que temos uma ocupação para o senhor - Disse ela. E assim foi. Vigiar equipamentos da empresa que fincava grandes troncos de madeira. vou apressar o tempo. Nos próximos meses ele se juntaria à minha mãe, que também era de Paulino Neves e já morava em São Luis.
Lembro-me bem que um dia pedi para que meu pai me levasse para ver a ponte. Fomos até lá, a obra prosseguia, num dado momento, me afastei de junto do meu pai e escorreguei, a maré estava cheia, a correnteza era imensa. Não era o meu dia. Alguma coisa fez com que meu pai virasse e olhasse em minha direção. Mais uns segundos e o meu corpo seria projetado no ar e provavelmente o que escrevo agora ficaria apenas na lembrança dos meus. A mão firma do meu pai segurou o meu braço e puxou de volta, chorei muito. Não me bateu, mas me prometeu não me levar novamente.
Esta não foi a única vez que a mão salvadora de meu pai entraria em ação, mas esta é outra história.
até a próxima.

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ResponderExcluirLinda gratidão que tens pelos seus genitores!
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